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O print screen acima, senhores, é do meu desktop. Temos ali alguns filmes. Não muitos, porque ainda aprecio o ritual de sair de casa para assistir a um lançamento em uma tela maior do que o meu apartamento. E também porque ainda me irrito baixando legendas e com a impossibilidade de fazer o som do meu computador sair pela TV.
Em outra pastinha, temos músicas, todas baixadas. Nenhum centavo gasto. E percebam que há outra pasta chamada Capinhas. Porque a cada novo álbum baixado, eu vou até o site da Amazon e copio a capa dele para depois vincular às músicas e aparecer na tela do Iphone. Ou seja, eu sou pirateiro, mas sou organizado e limpinho.
Nas demais pastas, minha diversão preferida dos últimos anos: seriados americanos disponíveis em sites especializados quase imediatamente após a transmissão de TV nos EUA, já legendadíssimos. Com uma internet de 10MB e um pacote de bolachas, eu dispenso a HBO do meu pacote da NET e assisto aos seriados dela quando tiver tempo.
Três parágrafos só para deixar claro que não há virgem neste bordel dos projetos de lei Sopa e Pipa, recém derrubados, que pretendiam ampliar mecanismos de punição para pirataria e violação de direitos autorais pela internet nos EUA. A gente grita que isso restringiria a liberdade na internet, o direito a compartilhar informação (e restringiria mesmo), mas na verdade o que nós queremos é assistir um seriadinho e não pagar nada.
Então, entendo um pouco a fúria das gravadoras, produtoras e afins. Elas têm o direito de criar mecanismos mais eficientes para me cobrar se eu consumo os seus conteúdos. Mas há dois bons motivos para ser desfavorável à lei (fora o de que um coala poderia ser enjaulado):
1. Enxugamento de gelo
Toda luta contra uma nova tecnologia é uma luta perdida, a única diferença é o tempo gasto esperneando. Quando foi possível gravar o rádio na fita cassete, já era. Não adiantou proibir a gravação. O que aconteceu foi que a indústria teve de ser adaptar. Tivessem aprovado as leis, a diferença seria que a Big Media ganharia uma pistola randômica para espernear, chumbando imediatamente quem fosse flagrado pirateando na internet com penas de até cinco anos. Mas sério que vocês vão ficar aí atirando nesse mar de gente?
O tempo desperdiçado mirando a pistola ao léu deveria estar sendo gasto na busca de alternativas para entender esse mundo em que o lance precisa ser muito bom e muito prático para valer a pena ser pago. Foi assim que nasceu o iTunes, por exemplo. Agora, o que a indústria vai ter de entender é que isso é muito MAIS desafiador e que vai resultar em MENOS dinheiro do que a fórmula anterior de consumir cultura. Mas a forma anterior é moribunda, não há lei que fará ela ressuscitar.
2. Argumento calhorda
Se tem uma coisa que me dá nos nervos é a indústria dizer que, com menos dinheiro, se torna menos criativa. Menos artistas surgirão se você comprar discos piratas. Balela. Pegue a época de ouro do CD, por exemplo, na segunda metade da década de 90. Com as gravadoras cheias de dinheiro, você entrava na loja e via uma prateleira forrada de novos artistas? Coisa nenhuma, você via uma prateleira gigantesca da coleção Perfil, que não pagava um centavo pra artista nenhum, pois a gravadora já tinha os direitos autorais, e o que vendesse era lucro.
Dinheiro não traz criatividade, pelo contrário, traz preguiça. Acho esse rapaz careca que fala no TED sobre as leis um pouco romântico de conveniência, mas ele tem um argumento definitivo: o que a indústria quer é nos colocar passivamente de volta ao sofá, em frente à TV. Não estamos certos de piratear, mas para arrancar o nosso dinheiro, os executivos terão de inventar uma forma de fazer isso valer a pena.























