Me leva que eu vou

Sabe aquele quase vilão que está no filme só para que no momento certo se redima e ajude o mocinho? Aquele sábio mentor que morre no momento em que o herói precisará andar com as próprias pernas. Aquele momento em que a trilha sonora sobe e a plateia cai em lágrimas assim que o casal se reencontra aos beijos. Pois é desse tipo de manipulação de sentimentos em prol da diversão, tão recorrente no cinema, que o show e a música do The Killers é feita.

A diferença crucial é que esse tipo de joguinho costuma não funcionar se você percebe que está sendo manipulado. Não é o caso. Ainda que dê para perceber que cada gesto de Brandon Flowers é milimetricamente sincronizado com a pirotecnia do palco, que cada refrão da banda vem depois de um pequeno silêncio para torná-lo galopante e a música mais épica, ainda assim o efeito sobre a plateia é avassalador (observa no vídeo lá embaixo, em um dos pontos altos do show). Na pior das hipóteses, um show do The Killers é uma experiência divertidíssima recheada de hits incontestáveis. Em contrapartida, a melhor das hipóteses também não é muito melhor que isso.

Em um texto da Rolling Stone sobre a banda já citado aqui n’O Coala, o autor narra uma cena repetida em meio à lama de São Paulo, no sábado, que sintetiza a banda com perfeição: “Flowers ergue o pedestal do microfone com a mão direita e acompanha as batidas de Vannucci com movimentos no ar. Ele repete a frase vez por outra, com toda a paixão que tem: ‘I’ve got a soul, but I’m not a soldier’. É uma coisa maravilhosa de se ver. E, por um instante, a gente quase acredita que a frase possui algum significado”.

Pois o fato de The Killers ser (com mérito) uma das grandes bandas da década mesmo sem que a sua música… como direi… fale com o teu coração da forma como os monstros do rock sempre falaram com os seus fãs talvez seja um reflexo de uma geração meio desencantada e desencanada, sem a necessidade de reconhecer um messias no palco. Embora isso possa parecer meio triste para os que já se relacionaram de forma tão mais visceral com seus ídolos ao microfone, não parece ser ruim nem menos autêntica essa música que nada mais é do que entretenimento.


Fossa 00’s

Uma das poucas coisas boas de envelhecer é ver pessoas com os mesmos referencias que os teus produzindo cultura. Explico: não é algo claro e explícito, mas é uma sensação boa de assistir a um filme e saber que aquele diretor ouviu as mesmas músicas que tu, jogou mais videogame do que bola, assim como tu, ou simplesmente tem a visão do mundo e dos seus perversos habitantes muito parecida com a tua. O bacana é se sentir representado.

Pois foi essa a sensação que o Guto Leite bem descreveu ao ler o romance de Carol Bensimon e que eu tive ao assistir 500 Dias com Ela, cujo título perde muito do charme sem o trocadalho em inglês (500 Days of Summer). O filme me ganhou já nos primeiros minutos, quando apresenta o protagonista como um sujeito que cresceu “estragado” porque ouviu british pop muito cedo. Quem teve o caráter forjado a Oasis sabe muito bem o que isso significa.

Claro que muito dessa identificação é por estar vivendo momento um pouco semelhante ao do rapaz aí à esquerda na foto, Tom, cujos 500 dias vão do céu ao inferno dos relacionamentos graças à menina complicada e perfeitinha da direita, Summer. Mas há algo além. Estou para ver filme que tenha feito um recorte mais preciso dessa geração quase-30 nos anos 2000. Sujeitos que aos poucos percebem que são muito velhos para viver feito adolescentes com boas mesadas, mas também se sentem jovens demais para tomar caminhos definitivos, seja em termos de amor, carreira e o que mais surgir.

500 Dias também é fabuloso simplesmente como cinema. As cenas fora da ordem cronológica não são novidade, mas é uma das poucas vezes em que esse recurso de fato serve para alguma coisa. No caso, para mostrar que um relacionamento ter tudo para dar certo ou tudo para dar errado não é muito diferente de uma mesa de edição. Selecione e mostre os momentos que mais forem convenientes e você pode chegar às mais diferentes conclusões. Some isso a uma trilha sonora indie-sem-forçar-barra e a truques bobinhos e inteligentes – como dividir a mesma cena de festa em “expectativas” e “realidade” – e o resultado é um dos melhores filmes do ano.

Para acabar o post naquele momento “I wonder why…”, vale apontar que 500 Dias é uma das poucas comédias românticas que partem de um ponto de vista masculino. Se sua geração ainda comprasse discos, Tom frequentaria a loja de Rob Gordon, de Alta Fidelidade. Curiosamente, além do “olhar de calças”, o que mais aproxima esses dois personagens são tramas que, mesmo com finais otimistas, são recheadas de melancolia e sagacidade. Me pergunto porque as mulheres não têm igual capacidade (ou interesse) de transformar seus pés-na-bunda em películas interessantes. Quem consegue citar algo melhor do que Bridget Jones que jogue a primeira pedra.

A Fazenda 2 - o retorno

Mais purpurina no rádio

Agudos, beats gays super dançantes e um visual todo trabalhando numa vibe glam é o que promete o cd de Adam Lambert.
Segundo colocado na última edição do reality show American Idol (embora fosse o favorito a.k.a Susan Boyle americana), Adam lança seu primeiro álbum no próximo dia 23 de novembro.

For Your Entertainment, segundo single do disco, está disponível no site adamofficial.com e mostra como deve ser o CD de estréia do cantor. Lá também se pode ouvir Time for Miracles, trilha sonora do filme-catástrofe 2012 e que também vai estar no debut de Adam.



Clip de Time for Miracles

Adam aproveita uma onda que vem tendo sucesso na europa e na qual o libanês dislexo Mika é o Kely Slater. Se este último tem músicas que dão vontade de sair saltitando pela rua, o seu par americano traz uma pegada mais rock. Ou seja, se os dois fossem músicas de Fredy Mercury - astro ao qual os dois cantores são frquentemente comparados - , Mika seria I Want To Break Free e Adam, We Will Rock You.

Pior lista

A lista das 100 + Sexy da VIP nunca foi grande coisa, mas com pesar anunciamos que a edição de 2009 atinge o limite do suportável. Assim como já havia acontecido com o fenômeno Fresno no VMB da MTV, a VIP subestimou o poder da inclusão digital entre adolescentes das classes C e D. O resultado é que os fã-clubes de chinelagens como RBD e de ex-BBBs insuportáveis carismáticas como Irislene Stefanelli e Francine tomaram conta por completo da lista. Sabe-se lá porque motivo, os fãs acham legal ver seus ídolos bem colocados em eleições que eles mesmos manipularam.

Ao dar carta branca para a votação da internet, a lista perdeu completamente a credibilidade. Se num ano Gisele Bündchen vence, no ano seguinte é 45ª, e assim por diante. Reflexo disso foi o retumbante fracasso da festa das vencedoras, onde a primeira colocada ficou somente os minutos acertados no contrato para estrelar a capa do mês e zarpou para queimar o filme o menos possível. Pensa bem: se você fosse, sei lá, Déborah Secco, iria numa festa em que você é 61ª e Siri Alemão a 8ª? Pois então…

Conselho de amigo: já que a revista não tem culhão para escolher as 100 queridas, que limite a votação para assinantes. Privilegia quem dá bola para a revista, assegura uma votação feita por homens e evita que o leitor encontre Anahí na 10ª posição e pergunte “quem?”. Bom, segue algumas posições comentadas:

1. Grazy Massafera

Considerando o restante da lista, a Vip até que conseguiu uma primeira colocada bem interessante. É um nome inédito, uma mulher linda, rendeu um ensaio mais sexy do que o da pior Playboy de todos os tempos e, além disso, tem algo a dizer sobre os homens do seu tempo. Talvez seja apenas uma distorção do conceito de sexy, mas é digno de reflexão o fato de que a escolhida, além de ser gostosa, ter aquele perfil de que poderia ser apresentada para a sua avó. Poderia ser um puritanismo à brasileira, mas a Esquire, autoridade mundial nesse tipo de escolha, também escolheu em 2009 a certinha Kate Beckinsale. Se isso é bom ou ruim? Eu passo.


Caipira é a mãe

7. Emma Watson

É muito provável que esse tenha sido um dos nomes manipulados por fãs-clubes do Harry Potter, mas nesse caso eu ei de concordar com eles. Faz parte da crise dos 30 anos (voltaremos a esse assunto, aguarde) se sentir um pouco mal por admirar no pior sentido possível alguém que você conheceu criança, mas fato é que essa guria está um doce com 19 aninhos. Mais pelo charme do que pelos atributos físicos, mas ainda assim. Para não ser tirado pra pedófilo, tudo que eu quero é que a série Harry Potter acabe de uma vez e ela comece a fazer outros papéis. Assim, talvez dê para esquecer que quando ela era assim eu já estava na noite.


Cosquirida

11. Thaila Ayalla

Apostei em Ísis Valverde como a grande musa içada por Caminho das Índias. Não foi. Por esses rumos estranhos que tomam as novelas da Gloria Pérez, Ísis deu uma sumida, embora siga firme na mesmíssima 14ª colocação de 2008. Pois a gostosinha das oito acabou sendo Thaila Ayalla, que eu lembro mais de Malhação do que da novela, já que mal consigo espiar a TV naquele horário. Não dava nada por ela até ver esse ensaio da foto embaixo.


Jesus

27. Joelma

O Coala apoia Joelma (35 anos, cabelo de 52 e agudo de menino de 13) em sua galopada feito um cavalo manco rumo ao topo da lista. Foi 48ª em 2008, é 27ª em 2009 e fica mais sexy a cada dia.


Força na peruca, Joelma.

Ausentes:

Fernanda Machado deve ter chifrado um editor da Vip, não é possível. Capa da Rolling Stone, da Homem Vogue, da Trip, antagonista em novela que é recorde de audiência no horário, mas segue menos sexy que Jaqueline Khury. Apostaria em fraude, mas a julgar por outras ausências como Emanuelle Araújo ou Luli Miller (aí embaixo, em ensaio da própria Vip) dá para atestar o fracasso completo deçaporra de interatividade.


Repeat after me: “menos sexy que a Joelma”

Update: e vem aí a primeira (e totalmente interativa, lógico) eleição da Vip para Homem do Ano. Medo.

Ah, a arte


Nosso calvário começa por aquela mandada erguer pelos burgueses do bairro Moinhos de Vento para celebrar sua vitória em 1964 que se encontra no Parcão (homenagem ao marechal Castello Branco, mas que também pode referir-se ao desembarque de um extraterrestre), chegando ao hediondo “timão” situado na rótula que antecede o museu Iberê Camargo.


Estrela Guia 2 (ou “timão” com lhama), de Gustavo Nakle

Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).

Voltaire Schilling foi no mínimo corajoso ao publicar o artigo A capital das monstruosidades, no último domingo, em ZH. Ao colocar várias intervenções urbanas/artísticas de Porto Alegre no mesmo saco e bater sem dó nem piedade, o vovô cometeu erros crassos - não diria, por exemplo, que defender a criminalização da feiura, ainda que de maneira irônica, seja um bom argumento para qualificar uma obra de arte.

Mas qualquer um com o mínimo de noção se dá conta de que há um nível de sarcasmo exagerado no texto do historiador. Por isso, soa meio redundante ouvir especialistas dizendo que ele foi ingênuo ao fazer tais afirmações, pois não me parece que o artigo tenha sido apenas uma “provocação sem sentido”, como disse o escultor José Francisco Alves a ZH. É essencial para a discussão dizer que Voltaire está errado, mas não apenas isso.

Voltaire, que de ingênuo não tem nada, disse que andava intrigado com a “feiura dessas coisas” e que resolveu dar voz “ao que a maioria pensa”. Verdade. Mas a editoria de Cultura d’O Coala vê o vovô indo além. Em tempos de Bienal do Mercosul, ao baixar o cacete em Supercuias e Estrelas Guias da vida, o artigo lança (mais) uma oportunidade para que esse tipo de arte conceitual faça algum sentido para o público em geral.

Por isso, O Coala espera ansiosamente (e sentado) que alguém da área apresente um bom e bem desenvolvido argumento em resposta à acidez do velho vovô. Não serve alguém dizendo apenas Oh, que desrespeito, que ignorância, que ingenuidade. E sim alguém que convença a galeri de que aquela lhama no meio de um timão (para usar o mesmo adjetivo do Voltaire) faz, sim, algum sentido, significa, sim, algo para aquele determinado ambiente, sei lá.

Em outras palavras: alguém que aproxime a arte da moçada.

Nessas alturas algum dos 17 leitores d’O Coala poderia questionar se a arte precisa ter um significado, um sentido. Sei lá. Uma frase colada na minha geladeira diz algo mais ou menos assim: “se incomoda você, é arte”. É bonitinha, mas na real não sei se acredito. Quero muito crer que existe um raciocínio, um propósito em todo esse entulho que está tornando nossa “linda” e “moderna” cidade uma monstruosidade!


Saint Clair Cemin, o autor da Supercuia, diz que seu objetivo foi unir a forma sensual da cuia de chimarrão ao vigor platônico do dodecaedro regular

Deus, o que é arte mesmo?

PS: os links de ZH não estão funcionando. Não, não faço ideia.

Pergunte ao Coala

O Coala foi entrevistado detráspradiante hoje no twitter pela Bruna Maia, uma das nossas 17 leitoras. Aí vão as perguntas e respostas na ordem certa e sem as abreviações necessárias em 140 caracteres.

Brunette Maia – Então, pergunta 1: como vc se sente qdo ouve dizer que a mídia manipula TUDO O TEMPO TODO?
O Coala – Acho que o jornalismo é meio Geni: quando convém é solução, mas em geral é vidraça. Duro é que a bosta vem dos próprios jornalistas (ou estudantes).

Brunette Maia – Qual o brasileiro mais superestimado de todos os tempos?
O Coala – Glauber Rocha. Duvido que alguém de fato entendia o cara. Inclusive ele mesmo.

Brunette Maia – Qual o significado de Amy Winehouse para O Coala?
O Coala – É a única rockstar com real chance de morrer de overdose. Nesse mundo coxinha de hoje, é uma grande coisa.

Brunette Maia – Qual foi a coisa mais útil ensinada na faculdade de jornalismo?
O Coala – Dureza. Pra mim as melhores cadeiras tinham um pé na Letras. Em Comunicação, ela é muito fraca tanto na reflexão quanto no técnico.

Brunette Maia – Que reações O Coala enfrentou ao defender a queda do diploma para jornalistas?
O Coala – Quem leu aquele post torceu o nariz, mas acho que em geral não entenderam bem. Vi a queda do diploma como uma forma, talvez a única, de salvar a faculdade de jornalismo. De elevar a qualidade justamente se o diploma tornar o cara qualificado. O medo das pessoas é justamente o contrário, de o jornalismo ficar ainda pior. Além do medo de perder o emprego, claro =). Ainda sobre o diploma, é bom lembrar que O Coala são seis pessoas, algumas não concordam com aquele post.

Brunette Maia – Tedouumdado, fonte de inspiração?
O Coala – Para alguns coalas mais do que para outros, mas sem dúvida. Uma das coisas legais de blogs é serem versões sem superego de veículos “sérios”.

Brunette Maia – Jornalista bom de verdade no Brasil, atualmente é quem?
O Coala – Nunca tive nada a falar mal do Caco Barcelos. É uma vaca sagrada em quem gostaria de dar uma pedrada, mas realmente não consigo. Mas as grandes formas de se fazer jornalismo hoje é livro reportagem e documentário, só que aí, em geral, não são jornalistas os autores.

Brunette Maia – Quem além de Yeda merece o título de gaúcho honorário?
O Coala – Particularmente hoje, o Maradona.

Brunette Maia – Voltando pra internet, qual blog é seu favorito atualmente?
O Coala – O Impedimento. Vai naquela linha que falávamos. Caras que entendem muito de futebol e podem falar o que não dá pra falar em outras mídias. Como Tite e barranqueamento, por exemplo.

Brunette Maia – Dos grandes temas do momento, qual a maior contradição?
O Coala – Ontem ouvi falar em uma chapa presidencial Dilma/Edison Lobão. Não consigo pensar em uma forma melhor de o PT se enterrar.

Brunette Maia – Brasil no Conselho de Segurança, que te parece?
O Coala – Considerando q a ONU não apita nada, acho perfeitamente plausível. É a meta final do Lula, que vai acabar o mandato com 112% de aprovação e 11 dedos.

Brunette Maia – E qual é a razão de tamanha popularidade do Monsieur Lulá?
O Coala – De alguma forma, nenhuma crise institucional atinge ele. Soma-se isso a um carisma impressionante e está feito o presidente. Outro fator a ser considerado é q o Lula é muito mais inteligente que os 30% de petistas que fizeram o nome dele. Seguisse o que esse pessoal pensa, todas as esferas do governo seriam hoje o que é o Incra.

Brunette Maia – E pra finalizar, mande um recado pra OBAMA.
O Coala – Doe o US$ 1,4 milhão do Nobel pr’O Coala ;-)

Brunette Maia – Obrigada, O Coala por participar de mais um talk show sem noção.
O Coala – Prazer é nosso. Estamos aí.

Muito cinza

Uma das coisas que acho salutar na Justiça é o fato de ela desconsiderar – ou considerar pouco, com os chamados agravantes ou atenuantes – os tons de cinza de um crime. Ou seja, se o sujeito cometeu um assassinato, ele deve ser condenado por assassinato. Se ele teve uma infância pobre, foi seduzido pelo tráfico de drogas e estava sob efeito de crack no momento, podem ser atenuantes, mas não mais do que isso. Preto no branco, ele será julgado por homicídio.

O contexto deve ser observado para que outros casos não ocorram – daí os investimentos sociais, a luta contra as drogas e coisa e tal – mas os fatos que já aconteceram devem ser julgados e punidos. Até porque, a punição a quem cometeu um crime faz parte desse trabalho da sociedade para que novos casos não ocorram.

Pois é esse excesso de tons de cinza no caso Roman Polanski que parece gerar textos como este, trecho de um artigo publicado no Herald Tribune, de autoria de um professor da Universidade de Direito da Virginia:

“Duas grandes falhas colocam dúvidas sobre a legitimidade do pedido de extradição de Polanski. A primeira diz respeito aos próprios objetivos da lei criminal. Estes normalmente são descritos como vingança, prevenção, punição e reabilitação. A vingança é amplamente reconhecida como algo ilegítimo. No caso de Polanski, nenhum objetivo legítimo parece aplicável.

Como ele não cometeu nenhum outro crime, pelo menos que nós saibamos, nas três décadas em que viveu na França e na Suíça, o objetivo de prevenir que ele não cometa mais nenhum crime não tem efeito.

Nem os de punição e reabilitação parecem aplicáveis. A punição, assim como a reabilitação, deve ser salutar, não vingativa. O propósito de ambos é permitir ao prisioneiro retornar à sociedade e funcionar num contexto social sem cometer mais crimes. Como Polanski tem vivido em Paris durante três décadas como um cidadão aparentemente seguidor das leis, esses objetivos não se aplicam. O que parece restar é a vingança.”

Polanski, em 1977, estuprou uma adolescente de 13 anos, a quem havia embebedado em uma festa privada. Ele argumenta que o sexo foi consensual. Por si só, a Justiça americana não admite sexo com uma menor como consensual. Até aqui, convenhamos, há certo puritanismo na jogada, mas tem mais. Polanski praticou sexo anal com ela, além de oral e vaginal. Acho simplesmente inverossímil que uma adolescente de 13 anos, ainda que bêbada, consinta em fazer sexo anal com um sujeito de 44 anos.

O parágrafo acima é o preto no branco. A infância de perseguição nazista, o crime hediondo contra a sua mulher grávida, a brilhante carreira como cineasta, o cidadão exemplar que foi a partir de então (ainda que como fugitivo) são os tons de cinza, que até podem ser levados em conta, mas nunca sobrepor o fato de que ele cometeu um estupro.

E se o autor do artigo do Herald Tribune quer um propósito na punição, me parece haver um bem claro. Passar a mensagem de que ninguém está acima da Justiça (entre “vingança, prevenção, punição e reabilitação”, como listou o autor, seria portanto “prevenção”). Ainda que você seja um cineasta genial de idade avançada com uma história de vida comovente, quando comete um crime, ele deve ser julgado. Quanto às dezenas de artistas que assinam uma lista pedindo para que o cineasta não seja punido por ele ser quem é, eles só passam a imagem de que se consideram superiores a mim ou a qualquer outro cidadão passíveis de um erro.

Melhor repercussão

Do Olé, como sempre:

Oi, Rádio Oi

Como parte da entrada de sola da Oi no Rio Grande do Sul, estreou ontem na frequência 90.3 FM a Rádio Oi. Outro dia, quando a Ipanema comemorava seus 26 anos, um dos comunicadores saudou no ar o fato de uma rádio ter se mantido por tanto tempo em Porto Alegre com um único segredo de tocar o que bem entender, enquanto as concorrentes têm quase a totalidade da grade montada por ordens superiores.

“É por isso que pode estar caindo o mundo de chuva em plena segunda-feira de manhã e a concorrente lá tocando ‘Shine Happy People’.”

Pois então, se a ideia é vincular uma marca que se gaba de ter uma relação de liberdade com os clientes (se isso é bem verdade ou não, não vem ao caso), nada mais coerente do que bancar uma rádio de programação livre. E é claro que isso fica bem mais fácil de se manter quando se tem um grande e único patrocinador como uma operadora de celular, o que desobriga a rádio de buscar grana tanto em jabá quanto em espaços comerciais, escassos e exclusivos da própria Oi.

Ou seja, além de uma estratégia de marketing muito bem pensada, o resultado final é uma programação com muito mais música. Algo que certamente será lembrado na hora de mudar a estação porque a concorrente chamou os reclames.

Ok, mas e a rádio em si? Bom, de cara tem um problemão: não pega direito. Talvez por implicância do meu Claro, ela chiou durante toda a Rua José Bonifácio, tangenciando o Parque da Redenção, o que é meio grave por não se tratar de nenhuma área mais afastada de Porto Alegre. Não quisesse fazer esse post, teria certamente trocado de estação. Dentro do apartamento, então, só pegou lá onde está agora, no rádio perto da janela.

A programação destoa pouco do pop oferecido por uma rádio comercial. No Rádio Café, programa que vai das 8h às 11h e que estou ouvindo, já rolou coisas absolutamente normais como U2, Coldplay, Jack Johnson, e também ficou claro que não há prioridade para músicas novas. De velho, já rolou boas surpresas como Anormal, do Pato Fu, Stupid Girl, do Garbage, e uma das músicas não só das mais admiradas, como interpretadas pelo Coala: Never There, do Cake. De novidade, faz pouco tocou uma das melhores músicas do ano, Heavy Cross, do Gossip.

Quanto à interatividade, tudo o que ouvi até agora foi que você pode mandar um torpedo do seu Oi com determinada palavra para saber qual será a próxima música a tocar na rádio. O que não faz o menor sentido se o sujeito não é a pessoa mais curiosa do mundo.

Enfim, se não é uma grande novidade, ao menos é uma novidade no enfadonho dial porto-alegrense. E neste blog… ;-)

Não vi e não gostei

Enorme preguiça de tecer qualquer comentário sobre o VMB diante da fotolegenda abaixo…


A banda gaúcha Fresno comemora o prêmio de Artista do Ano; o grupo também levou os troféus nas categorias Pop, Baixista dos Sonhos (Tavares) e Vocalista dos Sonhos (Lucas)

Foto: Flávio Florido, UOL

Salvem O Coala

Tá nascendo? Saiba que nome colocar

Como o desespero acadêmico ainda tá no nível inicial, permito-me compartilhar com os leitores d’O Coala uma besteira curiosidade publicada hoje pelo Datablog, do Guardian: os 100 nomes de bebês mais populares do Reino Unido (versão 2008).

Para as gurias, o nome mais popular é Olivia, que subiu duas posições em relação a 2007, tirando do primeiro lugar Ruby, que agora ocupa a segunda posição. Em terceiro lugar está Emily.

Já para os guris, o must é colocar o nome do filho de Jack. Pelo segundo ano consecutivo ele ocupa o primeiro lugar. Mas Oliver, que subiu uma posição, pode chegar à liderança graças (quem sabe, vai saber) ao sucesso daquele cozinheiro. O terceiro lugar fica com o tradicional Thomas.

Interessante, não? Que nada! Coisa de britânico desocupado. Mas é legal pegar a lista e completar o segundo nome com a primeira coisa que vier à cabeça.

Meninas
01 OLIVIA (PALITO)
02 RUBY (TUESDAY)
03 EMILY
04 GRACE
05 JESSICA (O RESGATE DE)
06 CHLOE (SEVIGNY)
07 SOPHIE
08 LILY (ALLEN)
09 AMELIA (LEMOS)
10 EVIE
11 MIA (FARROW)
12 ELLA (FITZGERALD)
13CHARLOTTE (GAINSBOURG)
14 LUCY (LIU)
15 MEGAN

Meninos
01 JACK (BAUER)
02 OLIVER (KAHN)
03 THOMAS (MANN)
04 HARRY (POTTER)
05 JOSHUA (TREE)
06 ALFIE (O É TEIMOSO)
07 CHARLIE (KAUFMANN)
08 DANIEL (DAY LEWIS)
09 JAMES
10 WILLIAM (SHAKESPEARE)
11 SAMUEL (BECKETT)
12 GEORGE (SOROS)
13 JOSEPH
14 LEWIS (HAMILTON)
15 ETHAN (HUNT)

Puta besteira, eu sei, mas se tu quiser fazer a tua lista, todos os nomes podem ser encontrados aqui.

Morri, morremos

Ah, Barcelona

Do El País, de ontem.
Sexo de pago en plena calle junto al mercado de La Boqueria

“Es vergonzoso. Las niñas hacen de todo entre las columnas y los camiones de mercancías“, dice la dueña de un puesto de quesos. A media mañana, entre turistas despistados y comerciantes ajetreados aún se ve alguna jeringuilla junto a la terraza de algún bar. Y cuando los puestos cierran, aún quedan embalajes de preservativos por los rincones. “Es mi desesperación como presidente”, se lamenta Ripoll.

* Grifos d’O Coala